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Madô Martins sobre o livro



Coração enredado


Nesta obra em que amor e paixão se revezam, no ritmo das marés, o poeta Fernandes anuncia:


Eu vim para manchar cadernos.

Num clima de desejo e sonho, ele deseja que sua arte, que imita a vida,


faça com amor a melhor poesia.


Em seus poemas estão o menino enamorado –


entre versos e embalagens de chocolate
tinha seu nome em corações vermelhos

e o homem pronto a possuir a amada, que compara às musas de Botero, à espera de um sim.


E seja, ao menos, na poesia
A minha mais desejada
Musa por um dia


Mas o vate sabe da sombra nefasta que ronda seus sentimentos:


É que do amor e de seus laços
Logo deixarão, sem embaraço
Apenas no peito e coração a cicatriz


Usa como consolo o artifício de inventar respostas da amada, ora prestes a se entregar ora sentenciando o fim daquele amor desesperado. Um jogo, em que cabe ao leitor pressentir a quem pertencem as juras amorosas:



teu sorriso é tudo que preciso


andei por vários mares
te procurando em cada porto



você tem sido o meu melhor poema



A esperar fiquei por ti diversos anos



Quero atar-me a ti e te prender
Sem saber se é fim ou início...


O clima de devaneio persiste através das páginas. Em muitas, o amor é reafirmado:



Saiba que eterno é meu amor


Você será a minha mais certa escolha

E serei a mais satisfeita das criaturas



E os corpos farão da vontade o ensejo



Do teu lábio o doce gosto
No meu ainda permanece


Em outras, renegado:



Sou a ti o acerto vestido de engano 


E estes versos que aqui lanço

E se com eles não te alcanço

E que do amor sejam sussurros


cansei de entregar
meu corpo
a quem não soube
satisfazer minh'alma.


Por fim, o amante, conformado com sua sina, supera a desilusão e esboça uma despedida: 


...pedir para que omita meus ciúmes

Os quais do amor são minhas provas


Pois maior beleza que minha palavra

Tens tu, oh! Mulher que és madura

E esta flor delicada que seguras.



Que nada empate seu singelo sorriso

De modo preciso eu também sorria

E não mais me importe se no amor

De sorte a propor eu não mais precise


Assim, esbanjando rimas, Fernandes nos brinda com mais um livro repleto de poesia, em que expõe nuances do mais humano dos sentimentos: o amor, que a todos enreda.


Escritora e Colunista de ATribuna

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